Moradores da região do fundão do Ipiranga se reuniram, no passado dia 13 de maio, em um ato de protesto na comunidade do Jardim São Savério. A exigência foi de justiça para a MC Di e toda a população preta periférica.

Abordagem Violenta

Dias antes da mobilização (07/05), Diego Andrade da Silva (34), jovem negro, pai, trabalhador, Mc e jogador de várzea, mais conhecido como Mc Di, foi abordado de forma violenta por policiais. No mesmo dia, ele foi preso com base em um reconhecimento irregular feito por uma foto de facebook.

Segundo Thiago Trajano, primo do Mc Di entrevistado pela Ponte Jornalismo, “Eles cometeram abusos. Colocaram o Di deitado no chão e o algemaram. Na hora, ele mesmo se entregou e disse que não tinha necessidade de ser algemado”.

Desde então, a comunidade, sua família, advogados e a articulação e apoio jurídico da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio uniram forças para denunciar mais esta arbitrariedade e lutar pela liberdade do Mc nascido e criado no bairro.

Comunidade se levanta

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Manifestação repleta de crianças com seus cartazes

A concentração do ato reuniu vozes da comunidade que falaram sobre o perigo das abordagens policiais na região, e as ações violentas do Estado e da PM que continuam a encarcerar injustamente pessoas na periferia.

As crianças fizeram cartazes pedindo a liberdade para Mc Di, e caminharam à frente da manifestação.

Também estiveram presentes na organização do ato dois times de futebol de várzea da região: o Família Psico e o Quem tá é Nois.

Os manifestantes caminharam pelas ruas da região do Jardim São Savério pedindo justiça e liberdade para Mc Di, a marcha acabou chamando a atenção dos moradores e comerciantes locais.

Seguindo a caminhada pela comunidade, a manifestação fez uma homenagem para Mc Di dentro do campo onde ele costumava atuar como goleiro.

Intimidação

Perto do encerramento do ato, por coincidência ou não, os mesmos policiais que abordaram Mc Di e o algemaram de forma humilhante e violenta dia 07, apareceram para acompanhar a mobilização da comunidade.

A manifestação terminou na Avenida dos Ourives, via de ligação entre as cidades de São Bernardo e São Paulo, fechando a via, e aos gritos exigindo que Mc Di seja inocentado, que possa retomar a sua vida, seu trabalho e reencontra a sua família.

Os moradores permaneceram um tempo fechando a via e com gritos das pessoas exigindo que MC Di seja inocentado e que possa retomar sua vida, seu trabalho e reencontrar sua família.  

Avenida dos Ourives, que liga as cidades de São Bernardo do Campo e São Paulo

E agora?

MC Di segue preso injustamente, mas a Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio continuará em mobilização pela sua liberdade e para combater a atuação racista e genocida do Estado.

O que nos dá esperança são casos como o do Felipe, do Helipa, outro jovem preto e de quebrada que foi preso injustamente e que a justiça recentemente concedeu liberdade”, relata uma das articuladoras.

Além do ato, a comunidade também criou um abaixo assinado onde todos podem apoiar na exigência de justiça e liberdade de Mc Di: Assine já!

* Saiba mais sobre este caso de injustiça racista na matéria da Ponte Jornalismo.

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