Diego, Rafael e Augusto são acusados de roubo de carga no Jardim Aracati, na periferia da Zona Sul da capital paulista. Reconhecimento pela vítima foi feito de forma irregular.

No dia 15 de janeiro, policiais militares que atuavam em uma ocorrência de roubo de carga na região do Jardim Aracati, na periferia da Zona Sul de SP, prenderam Rafael Erlan Ferreira De Moura da Silva, Augusto Ferreira de Souza e Diego Gomes da Silva, quando perseguiam um suspeito de envolvimento no caso. 

Liberdade para Rafael, Augusto e Diego

O suspeito tinha entrado no quarto dos rapazes, fugindo dos policiais, que detiveram todos. Na delegacia, segundo testemunho de um dos familiares de Rafael, os policiais teriam induzido a vítima a reconhecer positivamente todos como envolvidos no crime. 

Familiares e amigos exigem justiça e a imediata libertação dos três, que foram encaminhados aos Centros de Detenção Provisória (CDPs) de Mauá (Rafael) e Osasco I (Augusto e Diego). O caso está sendo acompanhado pela Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio.

Entenda o caso

“Tentando fugir da polícia, um dos suspeitos entrou na casa do Diego e se sentou no quarto onde os três rapazes dormiam. Assim, quando os policiais chegaram, ele disse que tinha estado lá todo o tempo. Os policiais mandaram todos descerem à garagem da casa, com seus documentos. Lá, um dos policiais passou a agir de forma agressiva, chegando a xingar a irmã de Diego, que só tem 17 anos”, conta a Assistente Social e articuladora da Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio Edijane Alves, que está acompanhando o caso. 

Os policiais pediram autorização para entrar na casa, que lhes foi concedida por Sheila, mãe de Diego. “Ela explicou que os meninos ainda estavam dormindo, porque Diego e Augusto tinham trabalhado até tarde da noite anterior. Eles são entregadores em uma pizzaria do bairro. Rafael, que mora longe, passou a noite na casa. Ele ajuda a complementar a renda familiar vendendo rosas em portas de baladas”, diz Edijane.

Na sequência, os quatro foram levados para a averiguação, onde, segundo familiares, os policiais induziram a vítima a reconhecer todos os quatro como envolvidos na ocorrência.

“A vítima disse que ficaria com a consciência pesada de reconhecer os rapazes sem ter certeza. Ao que o policial respondeu que ele ficaria com a consciência muito mais tranquila se tirasse quatro vagabundos da rua”, diz Edijane.

Ainda segundo a articuladora, outra irregularidade é que, apesar de haver um homem e uma mulher no carro que foi roubado, apenas o homem foi ouvido na delegacia e o reconhecimento dos quatro foi feito sem a participação de outras pessoas, como determina a legislação. 

Além disto, os policiais responsáveis pela prisão mentiram no Boletim de Ocorrência (B.O.), quando afirmaram que os quatro tinham sido detidos enquanto estavam na rua, em frente à casa, sendo que, na verdade, todos estavam dentro do imóvel.

O papel da Rede

A Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio, que está acompanhando este caso de abuso de autoridade desde o início, denunciou a conduta dos policiais junto à Ouvidoria da Polícia Militar e pede justiça para os três rapazes. No dia 26, a Rede participou de um ato contra estas prisões ilegais, realizado no Jardim Capela.

Ato da Rede no início de fevereiro

Como articuladora da Rede, Edijane procura auxiliar os familiares dos rapazes no que for possível. “Tenho feito pela rede o trabalho de orientação das questões burocráticas como por exemplo fazer a carteirinha de visitas, documentos, envio do jumbo (pacotes com alimentos, roupas e produtos de higiene pessoal, por exemplo), além de dúvidas recorrentes a situação de cárcere dos jovens. 

Mesmo sabendo que a justiça tarda e falha quando se trata dos mais pobres, seguimos nos mobilizando e somando forças para lutar contra a injustiça. 

A Rede tem acompanhado as famílias e atua em defesa da vida, contra a violência do Estado, articulada por diversos movimentos sociais, profissionais e moradores em busca de Proteção e Resistência ao Genocídio nos territórios periféricos do estado de São Paulo, hoje acompanhando mais de 50 casos de prisões forjadas e se colocando à disposição das famílias para ajudar como no caso dos jovens do Jd Aracati.

São inúmeros os casos de violação aos nossos direitos democráticos, civis e legais e os filhos dos pobres e trabalhadores ficam anos na prisão por um crime que não cometeram, através de uma prisão sem legalidade.

O que aconteceu com os jovens do Jd Aracati não é um caso isolado mas, um projeto de extermínio de jovens da periferia e o Estado precisa ser responsabilizado por isso, uma vez que uma categoria especifica de jovens são alvos diários de ações arbitrarias da Policia Militar de SP que legitima em suas ações o racismo de cada dia.

Amigos e familiares dos rapazes criaram uma página no Facebook sobre o caso, que pode ser conferida em https://www.facebook.com/Juntos-somos-mais-fortes-104877118272269/

2 thoughts on “Três jovens são presos injustamente pela PM na Zona Sul de SP

  1. Denise Responder

    O pior é que os policiais na sua grande maioria, também são moradores da periferia e negros, ou ancestralidade negra, apesar de não reconhecerem. E mesmo se não fossem nada justifica esse abuso , essas violações, o genocídio de negros e pobres institucionalizado.

  2. Patrícia Responder

    Aconteceu o mesmo com meu filho no início do ano, ele é de menor (por isso as coisas andam um pouco mais rápido) os policiais induziram a vítima a reconhecer ele e outro amigo (que ainda continua preso), meu filho tinha acabado de chegar da escola e estava na rua de casa, eu ainda fui lá e falei aos policiais, mas não me deram importância, e eles colocaram a carteira da vítima dentro da mochila do meu filho, e a vítima reconheceu eles no meio da rua, mas graças a Deus tinha as imagens da escola que ficou provado que na hora do assalto ele estava dentro da escola, mas mesmo assim, ficou 40 dias preso inocente.

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