Uma rede em defesa da vida e contra a violência do Estado que atinge a população negra e periférica articulada por moradores das comunidades, profissionais, ativistas e movimentos sociais.

Desde 2017, buscamos formas organizadas e sistemáticas de proteção e resistências às violações de direitos praticadas pelo Estado brasileiro, que representam uma violência institucional: a criminalização, o encarceramento massivo e a morte violenta da população pobre do país que atinge especialmente quem é jovem negro e periférico.

As referências de concepção das nossas propostas de ação consideram quatro conceitos: juvenicídio, genocídio, trabalho em rede e territorialidade.

Juvenicídio

O conceito de juvenicídio amplia a ideia da morte real, ou do simples registro da morte de jovens, para um complexo processo de criminalização dos jovens.

O contingente de jovens na América Latina vivendo em situação de vulnerabilidade, aliada às turbulentas condições socioeconômicas, provoca grande tensão.

Esta ordem dominante tem ampliado condições de precariedade e de vulnerabilidade dos jovens, a partir de perspectivas classistas, racistas, homofóbicas e de ordem proibicionista. Os homicídios dos jovens negros e periféricos são decorrentes tanto da violência policial, orientada pelo racismo institucional em que sua figura é estereotipada e estigmatizada como ameaçadora e violenta, reservando a este o lugar de principal suspeito, quanto pelo racismo estrutural que nega o acesso a condições básicas de existência.

No Brasil, o conceito de juvenicídio está intimamente ligado ao genocídio negro pois esse processo de criminalização da juventude, que ocorre no mundo, aqui, aprofunda a violência racial exercida pelo Estado e coloca o jovem negro com principal alvo das práticas genocidas.

Mas afinal, o que é Genocídio?

Entendemos por genocídio as práticas estatais que resultam na morte massiva e precoce de uma determinada parcela populacional. As violações de direitos que possibilitam o massacre indígena no Brasil (e em toda América)também encontra como alvo a população negra, que ocupa os piores índices sociais do país. Esta é a parcela populacional mais vitimada fatalmente pela violência urbana, gerada pela falta de acesso a moradia, trabalho, educação, saúde e lazer de qualidade.

Essas violações de diretos pautadas pelo racismo estrutural e institucional da sociedade brasileira, expressam-se em altos índices de violência, que geram homicídios e uma política de encarceramento em massa.

Nossa perspectiva de luta contra o genocídio é anticapitalista, anticolonialista, antipatriarcal e antiproibicionista.

Enredando: o trabalho em rede

Entende-se rede social como um conjunto heterogêneo de iniciativas e recursos institucionais e da sociedade. Recursos dispostos a atender necessidades e interesses de um grupo ou da sociedade como um todo. Uma articulação ampla entre diferentes atores que buscam fortalecimento mútuo, promovendo as variadas forças sociais de forma descentralizada, com fins comuns. De modo a configurar-se um espaço de autodeterminação, que não escapa aos conflitos inerentes ao Estado e a sociedade de classes. Mas que também é meio de fortalecimento para o enfrentamento das violações que promovem a violência e o Genocídio.

Territorialidade

O nosso ponto de partida é a territorialidade. O nosso trabalho em rede busca a especificidade de cada região, articulando e fortalecendo as diferentes iniciativas de organização local nos bairros, a fim de promover ações de proteção e enfrentamento adequadas as necessidades singulares de cada território.

Tendo como uma prioridade da nossa concepção a organização nas periferias, que concentram a população jovem, pobre e preta, principal alvo do genocídio de Estado.

Objetivos das ações:

  • Visibilizar as violências do Estado nos territórios de alta vulnerabilidade.
  • Proteger às vítimas e testemunhas.
  • Enfrentar ao abuso policial.
  • Buscar articulação territorial das redes formais e informais na perspectiva da efetivação de políticas públicas.
  • Garantir a efetivação dos direitos básicos e acesso à justiça nos territórios.
  • Fortalecer as estratégias locais.
  • Promover formação na perspectiva de defesa e promoção dos direitos humanos.