O crime ocorreu em plena campanha de candidato fascista à governo do estado de São Paulo

Felipe Silva de Lima, 27 anos, foi executado na manhã da segunda-feira (17.10) de inauguração do primeiro polo físico de uma universidade da Favela de Paraisópolis, zona sul da capital paulista, onde o candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos), estava fazendo campanha.

Às 17h06 do mesmo dia, foi aberto um B.O. indicando que não havia presença de armas junto ao corpo. Felipe estava desarmado e foi executado por policiais à paisana há trezentos metros do local onde, no terceiro andar, se encontrava o candidato a governo do estado.

As imagens da ação e das câmeras dos policias não existem. As das câmeras de segurança não foram disponibilizadas.

No Dia Seguinte

Em uma entrevista a jornalistas na terça-feira (18.10) Tarcísio recuou sobre seu posicionamento fascista sobre retirar as câmeras das fardas de policiais militares. Porém, uma semana antes, ele disse que iria tirar os equipamentos causando grande revolta e preocupação a todas as pessoas que sabem da enorme contribuição que essa medida trouxe para a segurança pública aqui e no mundo.

Desde a implementação das câmeras de segurança em 2021, cerca de 85% do número de mortes por intervenção policial despencou. Se trata da preservação da vida de pessoas suspeitas, mas também da vida de policiais e de pessoas do entorno que podem ser atingidas.

Nós da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, sabemos o quanto as provas são fundamentais para denunciar a perversidade dos agentes de estado cometidos contra a população pobre, preta e da periferia.

Uma Semana Depois do Crime

O grupo Tortura Nunca Mais enviou enviou na terça-feira (25.10) um pedido de esclarecimento junto à Ouvidoria das Polícias do Estado, motivado pela divulgação de um áudio pelo jornal Folha de São Paulo onde um dos seguranças da comitiva do candidato bolsonarista pede para que um cinegrafista da Jovem Pan apague imagens feitas no momento dos tiros.

A Rede esteve presente em Paraisópolis no dia do “atentado” por solicitação das famílias vítimas de crimes do Estado que acompanhamos.

Durante toda manhã recebemos informações que contradiziam ao anunciado nas mídias. O medo perpassava o olhar de muitos que estavam lá. Uma população, que vivencia cotidianamente a discriminação e várias formas de violência.

Histórico

A Operação Saturação de 2010, ainda está presente na memória de alguns moradores. Na época, muitos perderam emprego, foram ameaçados e tiveram suas casas invadidas apenas pelo fato de morar na favela de Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade e uma área bastante almejada pela especulação imobiliária.

Quase 10 anos depois, em dezembro de 2019, a execução dos 9 jovens durante uma festa, incluída uma mulher e um garoto de 16 anos, é outra mostra do despreparo e covardia das forças do Estado.

Inúmeras situações de violência tem como desfecho mais violência contra todos os moradores.

Quando os tiros começaram a ecoar pela comunidade na manhã do dia 17 de outubro, no horário que as crianças estavam indo e voltando da escola, a primeira coisa que muitos fizeram foi se proteger em suas casas, para garantir suas vidas.

Mais uma vítima

Felipe Silva de Lima é mais uma vítima do fascismo cada dia mais presente na vida do povo brasileiro. O que restou para comunidade foi enterrar mais um dos seus jovens, e o medo das possíveis represálias.

Não podemos ignorar interesses políticos, de um governo fascista e sanguinário que deseja continuar perpetuando o genocídio de um povo historicamente massacrado.

Avanços como o programa Olho Vivo precisam ser preservados, assim como a valorização de outras medidas que melhorem a segurança e condição de vida da população.

Nos posicionamos ABSOLUTAMENTE CONTRA todas as propostas, ações, campanhas e governos que agravem ainda mais a situação precária do povo de São Paulo e de todo o país.

ESTAMOS DO LADO DO POVO!
FELIPE SILVA DE LIMA, PRESENTE!
CONTRA O FASCISMO, CONTRA O GENOCÍDIO, PODER POPULAR!

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