O estudante Richard Rodrigues Crude, 16 anos, foi executado com três tiros na cabeça por policiais militares durante operação realizada no Jardim São Savério, Zona Sul da capital paulista, na manhã de 11 de março passado. Caso brutal chamou a atenção da imprensa e, com apoio da Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio, a mãe do adolescente quer que assassinos sejam responsabilizados pelo crime.

Richard e sua mãe, Cristiane.

Como em vários casos semelhantes, especialmente na região do Jardim São Savério,  há o conflito de versões sobre o que realmente teria acontecido.

De acordo com a versão dos policiais, como também é costume para justificar execuções, os disparos que mataram o adolescente teriam sido feitos em legítima defesa, em uma suposta troca de tiros, durante uma breve perseguição. Os policiais teriam dado início à perseguição após receberem uma informação sobre uma moto roubada. Ainda de acordo com os policiais, uma arma de brinquedo teria sido encontrada com Richard.

Para a mãe do adolescente, a auxiliar de escritório Cristiane Rodrigues de Andrade, de 32 anos, seu filho foi executado pelos policiais, apesar de não representar nenhuma ameaça a eles.

“A polícia diz que ele ainda foi levado com vida ao Hospital Heliópolis, mas isto é mentira. Ele estava desarmado e havia quatro policiais na ocorrência. Como é que ele representava uma ameaça, se ele estava ferido, no chão, quando o mataram?”, questiona.

Cristiane conta que na manhã do dia 11 recebeu uma ligação informando que Richard havia sido morto por policiais. E isto deu início a uma luta para conseguir informações sobre o que tinha ocorrido.

A primeira dificuldade enfrentada foi a de localizar o corpo do rapaz, o que só foi possível horas depois, após uma peregrinação por três hospitais da região.

“A  informação inicial foi a de que ele estava no Hospital Heliópolis, mas disseram que ele não estava lá. Depois, fui também aos hospitais Sabóia e ao Ipiranga. Foi quando fui informada que o corpo do meu filho estava mesmo no Heliópolis”, lembra.

Depois disto, Cristiane esteve no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da cidade, onde o caso foi registrado, para ter acesso ao boletim de ocorrência. “Foram mais de três horas de espera, sem ter nenhuma informação, sem ninguém falar comigo. É muito descaso e desrespeito com a família”, diz.

No DHPP, a mãe conseguiu pegar o capacete que o filho usava e constatou três perfurações de tiros. “Uma veio de cima. Mesmo com três tiros na cabeça e um no peito, removeram ele. Disseram que ele tinha vida, mas eu acho impossível. Para mim, eles removeram para montar a versão deles”, analisa Cristiane.

Segundo ela, os moradores da região afirmam que, logo após a ocorrência, policiais começaram a procurar por cartuchos de munição e por câmeras de segurança que possam ter filmado a ocorrência, em uma possível tentativa de esconder o que realmente aconteceu e dar mais veracidade à sua versão dos fatos.

Além disto, desde a morte de Richard, aumentou a presença policial na região, o que tem feito com que a população local se sinta constantemente ameaçada e amedrontada.

Segundo Cristiane, três jovens teriam sido executados por policiais militares na região do Jardim São Savério desde o ano passado. “Os policiais vão na periferia, não abordam, mas matam os jovens. Depois, plantam provas e forjam os casos, porque se sentem os donos da razão. Todos os jovens daqui estão em perigo, se não denunciarmos e se algo não for feito”, desabafa.

A brutalidade da ação policial – Richard foi alvejado ao menos cinco vezes – chamou a atenção da imprensa. O caso foi tema de reportagens da Ponte Jornalismo, em 14 de março,  e da Rede Globo, no programa SPTV 2ª Edição, dias depois, no 24. No programa da Rede Globo, o caso foi tratado dentro do contexto do aumento de casos de mortes de jovens durante ações policiais em São Paulo.

Genocídio Estatal

A Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio vê este crime como mais um exemplo da sistemática e onipresente violência de um Estado racista e classista, que considera que os jovens de periferia são matáveis e não se importam com a dor causada familiares e amigos, que não são incluídas nas estatísticas oficiais.

A Rede está acompanhando o caso e apoiando a família de Richard. No dia 18, por exemplo, junto com amigos e familiares, o coletivo participou de um ato em memória do adolescente, pedindo justiça. Além disto, a Rede também atua dando apoio na busca de informações e denunciando o caso junto à Polícia Civil e à Corregedoria das Polícias.

Segundo o advogado André Feitosa Alcântara, que é militante da Rede, esta é mais uma ocorrência em que os policiais atuam de todas as formas possíveis para encobrir o que realmente aconteceu e justificar uma execução.

“O que fica claro observando o Boletim de Ocorrência e as marcas de bala no capacete de Richard, uma delas na parte superior, é que o que ocorreu foi uma execução e não uma ação em legítima defesa por parte dos policiais”, analisa Alcântara.

Para o advogado, neste caso, o policial optou por agir como uma espécie de “justiceiro”, atirando contra um rapaz ferido, que já está no chão. “A sociedade não precisa de policiais assim, mas, sim, criar mecanismos e ações efetivos, para que casos assim não ocorram nunca mais”, finaliza.

A violência estatal contra os jovens negros, pobres e periféricos é comprovada pela ação de movimentos como a Rede, que atua na denúncia e na luta por justiça em casos como o de Richard desde 2017, e por dados oficiais.

De acordo com relatório apresentado em 22 de março pelo Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), entre 2015 e 2020, morreram 504 jovens até 19 anos vítimas de homicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais seguidas de morte.

No mesmo período e na mesma faixa etária, que inclui crianças e adolescentes, a capital paulista acumulou 581 óbitos cujo autores foram policiais militares e civis. Ou seja, em cinco anos, a polícia de São Paulo matou mais jovens do que somados todos os outros tipos de mortes violentas.

Até quando a sociedade tolerará que este massacre de nossa juventude continue?

3 thoughts on “Mãe de jovem executado por policiais militares quer Justiça

  1. Robin Responder

    Policia mata todos os dias pessoas inocentes em comunidades corentes eles acham de todos é bandido traficantes e as vezes pode ate ser mas pergunta se o siatema deu uma oportunidade ve se o governo da algum suporte pra quem vive na comunidade um emprego um curso profissionalizantes para que possa ter condiçoes de sustenta sua familia .pedimos paz justiça

  2. Samir Henrique Responder

    Muito triste uque aconteceu os policiais militares que patrulha na região Jd São saverio cê acha os donos da comunidade e não e bem assim meu irmão já foi preso e os policiais invadiram minha casa e ameaço meu irmão disse que ia da dois tiro na cabeça dele si pegace ele sozinho na rua isso e uma vergonha esses covarde tem que aprodecer na cadeia ou então até a mesmo a morte e justiça conforme esses atos

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