Hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo

A data marca o dia da primeira reunião, em 09 de agosto de 1982, do Grupo de Trabalho da ONU sobre Populações Indígenas da Subcomissão de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos e é resultado da atuação de representantes de povos indígenas de diversas regiões da Terra, denunciando os constantes ataques sofridos em seus territórios.

Porém, foi apenas em 1994 que a data foi instituída pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para relembrar os numerosos processos de luta e celebrar as contribuições dessas populações para a humanidade.

Quarenta anos depois, lideranças indígenas de todo o Brasil alertam que não há muito o que se comemorar. Aqui o dia foi marcado com um ato nacional em celebração à data. Manifestantes se reuniram em frente à sede da Funai em Brasília e de diversos outras cidades do país.

O ato exige Justiça pelo assassinato do indigenista Bruno Pereira, do jornalista Dom Phillips, este ano, e também do indigenista Maxciel Pereira dos Santos, executado em 2019. Além disso, os manifestantes protestam contra o Marco Temporal, em discussão no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF), e pedem a exoneração de Marcelo Xavier, presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Também hoje, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) protocolou nas procuradorias do Ministério Público Federal (MPF) de todo país uma denúncia contra Marcelo Xavier por crime de improbidade administrativa. A APIB também entrou com uma Ação Civil Pública (ACP) na 9ª Vara da Justiça Federal de Brasília para pedir o afastamento imediato de Xavier.

Auricélia Arapiun, coordenadora do Comitê Indigenista Tapajós e Arapiuns (CITA), disse para o Brasil de Fato que a atual gestão da Funai, alinhada com o Governo Federal, promovem uma política de destruição, facilitando a entrada de garimpeiros, traficantes e outros criminosos em terras indígenas:

“Mesmo com todas as tentativas do Bolsonaro de matar os povos indígenas, ele não conseguiu. E não conseguiu por causa da força do movimento indígena”.

Segundo a ONU, existem cerca de 370 a 500 milhões de indígenas no mundo, espalhados por 90 países, a maior parte deles na Ásia. Na América Latina, vivem 11% de toda a população indígena.

Quando, em 1500, os primeiros colonos europeus chegaram à terra que é hoje chamada de Brasil, ela era habitada por um número estimado de 11 milhões de indígenas que viviam em cerca de 2.000 grupos.

Atualmente há cerca de 305 povos indígenas no Brasil, totalizando menos de 1 milhão de pessoas – 10 milhões a menos do que quando as Américas foram invadidas. Em São Paulo, segundo o Censo do IBGE de 2010, residem cerca de 42 mil pessoas indígenas de diferentes povos indígenas.

O governo brasileiro reconhece 690 territórios indígenas, que abrangem mais de 13% do território nacional. Quase todas estas terras se encontram na Amazônia, que é também onde se concentra a maior quantidade de indígenas não contatados do mundo. O Vale do Javari, onde Bruno Pereira, Dom Phillips e Maxciel dos Santos tiveram suas vidas ceifadas, há pelo menos 16 grupos indígenas que nunca fizeram contato com outros povos.
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Confira a live que fizemos 30.09.2021 sobre a questão indígena com o o cacique Tenon e professora Guacy da aldeia Tapirema de Peruíbe-SP, do povo Tupi Guarani:

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